Dentista em Macaé e Cabo Frio

Cannabis & Anestesia: Informe ao seu dentista!

Como o uso da cannabis interfere na eficiência da anestesia odontológica.

O uso da cannabis (maconha) pode interferir de várias formas na anestesia e no tratamento odontológico, afetando desde a quantidade de medicamento necessária até problemas no coração durante o procedimento.

A interferência da cannabis na analgesia é um processo complexo que ocorre em diferentes “camadas” do seu sistema nervoso. Embora a ciência ainda esteja mapeando todos os detalhes, os mecanismos fisiológicos conhecidos envolvem desde a dessensibilização de receptores até alterações nos processos químicos nas células nervosas.

Esses receptores nos nervos são as portas de entrada da informação química das substâncias que se aproximam deles fazendo com que ocorra a geração ou o bloqueio de um estímulo elétrico para o cérebro. A anestesia é uma substância química que em contato com os receptores bloqueia o estímulo elétrico impedindo a sensação da dor. A cannabis atua de forma contrária sobrecarregando os receptores. Para se proteger, o cérebro reduz o número de receptores ativos ou torna-os menos sensíveis à informação química dos anestésicos fazendo com que estímulos nos dentes, que seriam toleráveis ou não perceptíveis, tornem-se dolorosos, dificultando a anestesia.

Aqui estão os principais pontos de atenção:

  1. Resistência aos Anestésicos

Estudos indicam que usuários frequentes de cannabis podem apresentar uma maior resistência aos anestésicos.

  • Maior dosagem: Muitas vezes, é necessária uma quantidade significativamente maior de anestésico local para atingir o efeito de anestesia.
  • Dificuldade de sedação: Se o procedimento envolver sedação consciente (como o uso de óxido nitroso), o paciente pode demorar mais para relaxar ou não atingir o nível desejado de tranquilidade comprometendo o bloqueio da dor promovido pela anestesia.
  1. Riscos Cardiovasculares

A maconha pode causar taquicardia (aumento dos batimentos cardíacos) e alterações na pressão arterial.

  • Interação com a Adrenalina: A maioria dos anestésicos odontológicos contém epinefrina (adrenalina) para fazer o efeito durar mais. Em um paciente que usou maconha recentemente, a combinação com a adrenalina pode elevar o risco de arritmias, crises de ansiedade severas ou complicações cardíacas.
  1. Sensibilidade à Dor e Cicatrização
  • Hiperalgesia: Alguns usuários podem ter uma sensibilidade maior à dor no pós-operatório, exigindo analgésicos mais fortes.
  • Cicatrização lenta: O fumo (de qualquer substância) reduz a oxigenação dos tecidos da boca, o que prejudica a cicatrização de extrações e implantes, aumentando o risco de infecções e “alvéolo seco” (uma complicação dolorosa após extrair dentes).

Recomendações Importantes

  • Seja transparente: É fundamental informar ao dentista na primeira consulta sobre o uso, inclusive a frequência e quando foi a última vez. Os profissionais de saúde não estão lá para julgar, mas para garantir que a dose do anestésico seja segura para o seu organismo e que o seu tratamento seja sem dor.
  • Tempo de pausa: Recomenda-se evitar o uso de cannabis por pelo menos 72 horas antes de procedimentos que exijam anestesia ou sedação.
  • Sinais de alerta: Se você estiver sob o efeito agudo da substância, o dentista pode optar por adiar o procedimento para evitar riscos desnecessários.

Na minha experiência é fundamental que o paciente tenha a iniciativa e informe que é usuário de cannabis para que seja feito um planejamento clínico para o seu tratamento. Quando a interrupção do uso com 72 horas de antecedência não é possível, o foco muda para estratégias farmacológicas alternativas e manejo de expectativas. Isso evita que a aplicação inicial de uma dose normal de anestésico seja ministrada e o silêncio operatório não seja alcançado criando a necessidade de se complementar a anestesia com doses maiores que nem sempre gera a ausência da dor.

Importante: Se o dentista notar que você é usuário de cannabis e perguntar, o melhor é confirmar. Isso garante que ele escolha anestésicos e outros medicamentos que funcionem de verdade para você.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *